Texto escrito em abril de 2009
Mais uma bomba: passagens aéreas custeadas pelos cofres públicos. Pensei que fosse "só mais uma" falcatrua dos nossos excelentíssimos senhores, mas não! Dessa vez a cara lavada está estampada em muito rosto que estava limpo até então, como é o caso do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).

O saldo da nova brincadeira ficou, em menos de dois anos, a R$ 4,7 milhões. Uma média de 89,8 viagens/mês para o exterior. Esses números incluem passagens de amigos e parentes dos nossos senadores e deputados. E, como se não bastasse, agora estão dizendo que não houve ilegalidade no processo, uma vez que a Câmara permitia o repasse de passagens de acordo com as necessidades do deputado.
Algumas citações:
"A maioria dos deputados é casada. Os filhos não podem mais vir a Brasília?" - Dep. Silvio Costa (PMN-PE);
"Se eu ficar doente, eu vou pagar uma passagem para a minha família vir aqui me visitar? Não tenho condições" - Senador Papaléo Paes (PSDB-AP);
"Isso pode ter acontecido. Não há ilícito" - corregedor da Câmara ACM Neto.
O grande problema está em os políticos acharem que devem gozar benefícios exclusivos que outro trabalhador comum não possui. Senhor Silvio Costa, nenhuma empresa, ao convocar um profissional a outra cidade, paga passagens aos seus familiares; Senhor Papaléo Paes, vossa excelência está convidada a conhecer de perto tantas famílias que vivem (ou sobrevivem) com um, ou menos que um, salário mínimo.
Gostaria de ter a oportunidade de levar um presente a eles: um dicionário. Nossos caros estão precisando rever alguns conceitos, tais como necessidade, condição, ilícito e outros mais. Parece mesmo que alguém esqueceu de avisar aos nossos parlamentares que o "públicos" de "cofres públicos" significa dizer que pertence ao Estado e não a quem quiser.
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